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Israel e Líbano renovam cessar-fogo e preveem zonas livres do Hezbollah

 



Os governos de Israel e do Líbano concordaram nesta quarta-feira (3), em negociações mediadas pelos Estados Unidos em Washington, em renovar um cessar-fogo que estava em vigor entre as duas partes desde abril e avançar na criação de “zonas piloto” de segurança no sul do território libanês sem a presença do grupo terrorista Hezbollah, aliado do Irã.

O acordo de renovação do cessar-fogo foi anunciado após a quarta rodada de negociações entre as partes israelenses e libanesas no Departamento de Estado americano. De acordo com a agência EFE, o plano acordado prevê que as zonas de segurança fiquem sob controle exclusivo do Exército libanês e excluam todos os chamados “atores não estatais”, em referência ao Hezbollah. O grupo terrorista não participa das negociações e se opõe ao processo. O texto afirma que o futuro da relação entre Israel e Líbano deve ser decidido pelos dois governos soberanos.

A renovação do cessar-fogo, contudo, está condicionado ao fim total dos ataques do Hezbollah contra Israel e à retirada de seus integrantes das áreas localizadas entre o rio Litani e a fronteira israelense. As partes afirmaram que a criação das zonas de segurança deve permitir avanço rumo a um acordo mais amplo de paz e segurança na região.

As delegações que negociaram nesta quarta-feira foram lideradas pelos embaixadores de Israel e do Líbano nos Estados Unidos, Yechiel Leiter e Nada Hamadeh. Israel e Líbano não mantêm relações diplomáticas formais. A primeira rodada de conversas, realizada em 14 de abril, foi considerada o contato de mais alto nível entre os dois países desde 1993.


O cessar-fogo está condicionado à suspensão total dos disparos do Hezbollah, grupo armado alinhado ao Irã, e à saída de todos os seus membros do Setor Sul de Litani, de acordo com a declaração. Os dois lados já haviam concordado com um cessar-fogo no mês passado, mas as hostilidades continuaram.

O acordo surge depois de o governo israelense ter ameaçado intensificar suas ações no Líbano, uma medida que ameaça inviabilizar as negociações entre EUA e Irã.


As negociações desta quarta-feira duraram quase nove horas e ocorreram após um dia inteiro de conversas na terça-feira (2) no Departamento de Estado dos EUA.

Israel e Líbano “concordaram em retomar as discussões políticas e de segurança na semana de 22 de junho, com vistas a alcançar um acordo abrangente”, afirmou o comunicado conjunto, observando que os EUA “concordaram em continuar facilitando a comunicação entre as partes nesse ínterim”.

A declaração conjunta afirmou que ambos os lados concordaram em “avançar rapidamente na criação de zonas-piloto nas quais as Forças Armadas Libanesas assumirão o controle exclusivo do território, excluindo todos os atores não estatais”, mas não estabeleceu um cronograma para essas zonas-piloto.

De acordo com a declaração conjunta, “Israel reafirmou que sua segurança e o respeito à sua integridade territorial só podem ser alcançados por meio do desarmamento do Hezbollah e do desmantelamento de sua infraestrutura em todo o Líbano”.

“O Líbano reafirmou a necessidade de respeito mútuo às fronteiras internacionalmente reconhecidas, a necessidade urgente de plena implementação da cessação das hostilidades, ressaltando os princípios da integridade territorial e da plena soberania do Estado”, afirmou. “O Líbano se comprometeu a fortalecer a capacidade das Forças Armadas Libanesas, com o apoio dos EUA, para exercer controle efetivo em todo o país.”

Os EUA “reafirmaram sua intenção de apoiar as Forças Armadas Libanesas, com o objetivo de aprimorar sua capacidade e permitir o exercício efetivo da soberania em todo o território libanês”, declararam.

“Todas as partes condenaram os ataques do Irã contra países da região e as atividades em curso que minam a estabilidade em todo o Oriente Médio, seja por meio do apoio a grupos armados ou por quaisquer outros atos de agressão”, concluíram.


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